Dom Vitor publica carta ao povo de Deus da Diocese de Propriá

Atualizado: Mar 30

Dom Vítor Agnaldo de Menezes, publicou neste 5° Domingo da Quaresma, uma carta dirigida ao povo de Deus da Diocese de Propriá, levando esperança e orientações como pastor, neste tempo qual vivemos em pandemia do Coronavírus (COVID-19). O download da carta pode ser feito clicando aqui. Confira a seguir a carta na íntegra:



Aos padres,

Às pessoas consagradas,

Aos fiéis leigos e leigas e suas organizações

Queridos irmãos e irmãs:

“Nós nos gloriamos nas tribulações” (Rm 5,3).


“Cor Dilatandum ad Servitium” – Dilatar o Coração para o Serviço! É com o coração dilatado de amor e de compaixão, que me dirijo a todos, nesses dias, que não são os últimos (cf. Mt 24,36), como algumas pessoas apregoam do alto do seu desespero, enquanto a humanidade sofre por causa da pandemia do Coronavírus (COVID-19). Exorto-os a permanecerem vigilantes na esperança e com os olhos levantados (cf. Jo 4,35), fixos n’Aquele que nos liberta de todas as prisões e nos faz fortes na tribulação e no serviço. Quem nos separará do amor de Cristo? (Rm 8,35).


“Nós cremos no amor de Deus” - A Páscoa já se aproxima e, neste ano, celebraremos de um modo diferente: sozinhos ou em família. É uma situação que nos causa dor e sofrimento, sobretudo, pela privação da Santa Missa e da Sagrada Comunhão Sacramental. Tal qual o povo de Deus, exilado na Babilônia, sentimos, também nós, saudades do Templo (cf. Sl 136). Devemos aceitar tal situação, como uma provação, a qual nos trará grandes benefícios espirituais no futuro. O vírus, que hora nos amedronta, e, ao mesmo tempo, desnuda a nossa fragilidade e as nossas falsas seguranças, não é castigo de Deus, porque Deus é amor (cf. 1Jo 4,16). Façamos dessa pandemia uma oportunidade para nos voltarmos para Ele de todo o nosso coração. “Voltai a mim e eu voltarei a vós” (Ml 3,7). Em seu regaço, sob os seus cuidados, estaremos seguros e protegidos, nenhum mal nos atingirá (cf. Sl 91,6-8). A Solenidade da Anunciação do Senhor, que acabamos de celebrar, nos fez recordar que, em seu Filho, feito homem, oferecido como sacrifício pelos nossos pecados (cf. Hb 9,28), Deus provou, de uma vez por todas, o seu amor para conosco. Há momentos, é verdade, como esse que atravessamos, em que Deus parece silenciar, não nos responder. “Pai, por que me abandonaste?” (Mt. 27,46). É o grito do Homem-Deus, sobre quem caiu a iniquidade de todos nós (cf. Is 53,6). O grito de Jesus abandonado, é o grito da humanidade sedenta de vida e de salvação. Naquele momento de angústia profunda, Ele viu todo o nosso pecado e sentiu na sua própria carne, a nossa dor, os nossos questionamentos, os nossos medos. Mas, naquela “hora”, a nova humanidade, estava sendo gerada pelo novo Adão. No sofrimento de Cristo, o Pai nos recriou! Foi na cruz que a morte foi vencida e nós fomos salvos. A ressurreição foi a prova da vitória da vida sobre a morte. Nossa glória está na cruz de Nosso Senhor! “Quanto a mim, não aconteça gloriar-me senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” (Gl 6,14). Seguir o Homem-Deus de Nazaré não é possível sem abraçar a cruz. “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16,24). Coragem! Não tenham medo! (cf. Mt 14, 23) Abracem a cruz e levantem as cabeças, a libertação se aproxima.


“Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34) - A Diocese de Propriá tem, no seu histórico de 60 anos, o cuidado pelos mais pobres como uma marca singular. Louvemos e agradeçamos a Deus por isso. Faço um veemente apelo a todos para que os pobres, não sejam esquecidos, nem abandonados por nós nessa pandemia. Eles devem ser prioridade em todas as nossas ações caritativas e no compromisso com a vida. Crie-se, em cada paróquia e comunidade, uma equipe de serviço voltada especificamente para essa parcela do nosso povo, que se sente só e desprovida do necessário para sobreviver a essa pandemia. Disseminemos, por toda parte, o vírus da solidariedade para cuidar dos desamparados e aflitos. Agindo assim, encontraremos o Cristo em seus rostos sofridos e angustiados pelo medo e pelas incertezas do futuro. O Homem-Deus crucificado quer ser amado e osculado nos crucificados vítimas do coronavírus. Os templos fechados nos obrigam a buscar e encontrar Deus de uma forma diferente, mas onde Ele sempre esteve presente, embora, ignorado por muitos: na vida e nas feridas dos pobres e sofredores de todos os tempos. Deus não está restrito aos templos feitos de pedras. Deus habita também nas ruas, nas casas, nos hospitais, nas periferias geográficas e existenciais, na vida de cada irmão e de cada irmã. É aí, sobretudo, que Deus se deixa encontrar. E foi, desse modo, que Santa Dulce dos pobres encontrou Deus, nos becos e vielas da grande Salvador. Partilho com vocês essa preocupação e peço-lhes o engajamento geral no socorro aqueles que nos receberão no paraíso: os pobres!


“Caros padres” – Neste tempo de “distanciamento social”, é grande o nosso sofrimento por não podermos estar próximos do nosso povo como desejamos. Por enquanto, a melhor forma de amá-los e preservá-los, é o distanciamento. Através das mídias sociais, façam chegar, a todos os nossos fiéis, a nossa comunhão e proximidade pela oração, de modo especial, pela Santa Missa diária, na intenção de todos. Que nossa comunhão presbiteral se intensifique, nesse momento, através da oração, do contato pelas redes sociais e pelo cuidado recíproco. Que ninguém se sinta isolado, nem esquecido. Quero manifestar a cada um o meu apreço e a minha proximidade. Na Eucaristia diária, na minha capela particular ou no Carmelo, tenho pedido a Deus por cada um de vocês para que não lhes falte a fé e a esperança. “Simão, Simão! Satanás pediu permissão para vos peneirar como trigo. Eu, porém, orei por ti, para que a tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, confirme os teus irmãos” (Lc 22, 31-32). Na Quinta-feira Santa, pela primeira vez em 60 anos, não nos encontraremos para a Missa do Crisma. Ficará para uma outra data. A minha comunhão, se estende a todas as religiosas e consagrados.


“Aos fiéis leigos e leigas” – É para vocês que, de um modo especial, o meu coração de pastor diocesano se dilata para amá-los e servi-los. Faço-me próximo de vocês pela Eucaristia diária e pela comunhão de vida e de fé. É a vocês que, de modo especial, confio os pobres. Sejam generosos na partilha dos bens e no amor fraterno. “Todos os que abraçavam a fé, viviam unidos e possuíam tudo em comum” (At 2,44). Recomendo a vocês, mais uma vez, a participação diária da Santa Missa pela TV, Rádio e pelas redes sociais em geral. Como também, a leitura da Sagrada Escritura e a oração do Terço Mariano em família pelo fim do vírus, que tem ceifado vidas e tirado a nossa paz.



Trago presente também, nas minhas orações, os médicos, os enfermeiros e a todos os profissionais da área da saúde; como também a todas as forças policiais que vem garantido a paz e a todos que tem possibilitado a manutenção dos outros serviços essenciais.



Confio todos aos cuidados e proteção de Nossa Senhora de Fátima, Padroeira da Nossa Diocese. Que o Bom Jesus dos Navegantes, nos ajude a navegar por mares tão revoltos, até aportarmos em segurança.


Com a minha benção, fiquem em casa!

Propriá, 29 de março de 2020.

Quinto Domingo da Quaresma

Dom Vítor Agnaldo de Menezes

Bispo Diocesano de Propriá


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